ASPECTOS SOBRE A FORMAÇÃO DO PSICÓLOGO HOSPITALAR

Pensar na formação do Psicólogo  Hospitalar remete pensar na formação em Psicologia. É muito comum nos cursos de graduação ter uma carência de disciplinas que abordem de modo detalhado a Psicologia Hospitalar. Algumas universidades estão tendo um foco maior nas disciplinas que envolvem a Psicologia da saúde e, consequentemente, a atuação nos hospitais, porém, essa não é uma realidade unânime. Os alunos que acabam tendo maior contato com a área hospitalar são aqueles que têm a oportunidade de fazer algum estágio na área.


A partir dessa realidade, pode-se pensar que, de modo geral, a universidade não fornece subsídios teóricos e técnicos suficientes para atuação em hospitais. Assim, o profissional que deseja atuar nessas instituições necessita buscar formação teórica e técnica, além de formação pessoal para sustentar essa prática.

A formação teórica possibilita o desenvolvimento de recursos para trabalhar com as particularidades do hospital.  É importante ressaltar que quando a Psicologia começou a adentrar pelos hospitais, na década de 50, não havia uma prática da Psicologia Hospitalar, mas uma especificidade da Psicologia Clínica no hospital. Utilizavam-se recursos técnicos e metodológicos de outras áreas da Psicologia. 

Muitas vezes, se tentava simplesmente transpor o modelo da clínica para o hospital. No entanto, a partir da diversidade evidenciada no exercício do dia-a- -dia da Psicologia Hospitalar, se iniciou a produção do conhecimento e o fortalecimento da identidade profissional nessa área. Desse modo, avançou-se na teoria e na prática. Hoje, a Psicologia hospitalar possui alguns referenciais próprios que dão apoio ao fazer da(o) Psicóloga(o) nessa área de atuação. Na tentativa de facilitar a formação profissional, surge, em 1977, o primeiro curso de Psicologia Hospitalar realizado no país, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, produzido e ministrado por (Bellkiss Romano). 

A partir da década de 1980, destacam-se nessa trajetória o "I e o II Encontros Nacionais de Psicólogos da Área Hospitalar", eventos científicos que contribuíram para o aprimoramento profissional (Romano, 1999). A possibilidade de atuação do psicólogo nos ambientes de saúde representou, então, um período marcado por inúmeros questionamentos acerca das tarefas desse profissional, as quais precisavam ser definidas com clareza para orientar as práticas. 

De acordo com (Santos e Jacó-Vilela) (2009), "os psicólogos estavam diante de teorias e técnicas das abordagens psicológicas, mas na tentativa de responder com urgência às demandas da instituição de saúde apresentavam dificuldades em estabelecer parâmetros para a atuação qualificada." É preciso considerar, ainda, o trabalho de (Célia Zannon), que iniciou sua trajetória como psicóloga no Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo (HC-SP) e elaborou uma tese de doutorado pioneira na área de Psicologia hospitalar: "O comportamento de crianças hospitalizadas e a rotina hospitalar subsídios para atuação do psicólogo (Zannon, 1981), sob a orientação da (Professora. Dra. Thereza Mettel). Essa tese marcou o advento em pesquisa em Psicologia em hospital.

No que se refere à produção da literatura especializada na área da Psicologia Hospitalar, Angerami-Camon (1984, 2002) iniciou a publicação de livros com o propósito de apresentar as possibilidades de atuação.Ocorreu o surgimento gradual dos cursos de especialização e a inserção da disciplina de Psicologia Hospitalar nos cursos de graduação (Sebastiani, 2006), iniciativas que foram relevantes para a formação profissional. Os psicólogos interessados na área da saúde procuravam aprimorar habilidades nesses cursos e nos Programas de aprimoramento.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A REPRESENTATIVIDADE ÉTNICO-RACIAL NA PSICOLOGIA BRASILEIRA: REFLEXÕES SOBRE GÊNERO, RAÇA E PROFISSÃO

ATUAÇÃO E PRINCIPAIS DESAFIOS DO PSICÓLOGO NA ÁREA HOSPITALAR